Preconceito na mente nobelística

Todo dia pela manhã acordo, me preparo fisicamente e psicologicamente para as aulas e vou para a faculdade, algumas vezes cumprimento meu amigo negro (isso não faz grande diferença, mas achei relevante no caso deste post) Marciano que mora comigo e estuda na mesma universidade. Assim que passo pela portaria peço para o porteiro (geralmente também negro, diga-se de passagem) o jornal Folha de São Paulo, que tenho assinado pelos editorias, quadrinhos e alguns outros cadernos aleatórios.

Como sempre, no caminho entre o prédio e o ponto de ônibus lia a página inicial à procura de notícias ou reportagens que talvez me façam procurar por outros cadernos do jornal além dos editoriais e dos quadrinhos. Encontrei uma que a princípio me deixou assuntado. Era algo sobre um biólogo, ganhador do prêmio Nobel, que afimava que os negros são menos inteligentes.

Apesar de fator: biólogo ganhador do prêmio Nobel, logo percebi que não passava de uma falácia de autoridade (onde alguém famoso ou conhecido se utiliza dessa “fama” para tentar persuadir as pessoas de que uma mentira é uma verdade) .

Assim que pude, abri o jornal à procura da tal reportagem. Foi realmente difícil, o que já me alertou para o fato de que aquele fato não era muito relevante, mesmo estando na página da frente.  Mas a encontrei.

Como previsto: o jornal em sua reportagem não deu credibilidade nenhuma ao biólogo que em outros tempos escrevera defendendo o aborto caso a grávida confirme que seu filho será homosexual. O escritor na reportagem (que não me lembro o nome, mas deixo os créditos a ele) tentou mostrar que o biólogo já tem um passado com algumas afirmações bastante duvidosas e criticadas.

Achei isso tudo engraçado. Um biólogo, que pelo jeito realmente acredita nisso, confesso que tive esperança de isso ter sido somente um mal entendido sobre qualquer coisa que ele tenha dito sobre a África e o fato do continente não conseguir crescer (ele realmente disse isso, mas para tentar justificar sua afirmação). E quase no fim do texto, lembram-nos que o biólogo não estuda genética. Estuda biologia molecular pura e nada poderia afimar sobre o assunto.

Minha convivência com pessoas com pele de cor negra, ou como diriam aquelas cartilhas, com pele de cor afrodescendente nos últimos tempos me mostrou o quão boas são essas pessoas. Que diferem dos europeus, índios ou japoneses somente na sua cor de pele.

Nada melhor que terminar com uma conhecida frase de Einstein [meio adaptada]:

“Triste tempo em que vivemos, onde é mais difícil quebrar um preconceito do que um átomo” (Albert Einstein)

Fernando “rindo do Nobel” Hattori

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8 pensamentos sobre “Preconceito na mente nobelística

  1. Uma pessoa medíocre como essa ganha o prêmio nobel. Interessante, se pensarmos alguns negros foram grandes mentes em vários sentidos. E desde quando homosexualidade é doença? Se fosse assim, tantes pessoas bi-sexuais seriam então, meio doentes? Santa ignorância, cada figura que aparece…

  2. Você sabe que pra mim é realmente incompreensível o preconceito ? De todos os tipos…Acho que o que causa diferenças não è a cor da pele ou a origem étnica, e sim o GRANDE desnível social. Ou seja, a pessoa pode ter menos acesso à cultura ( e nempor isso ser inferior intelectualmente), a pessoa pode se tornar violento ( e isso nada tem a ver com ser negro ou nordestino) só pelo fato de não ter perspectiva de ter acesso à uma vida digna, a morar bem, estudar , a ter lazer…isso sim faz a pessoa se sentir inferior, não que ela de fato seja…Não sei se me fiz entender rs. Abraço !

  3. Sobre esse biólogo, me fez lembrar uma frase
    “A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.” (Nelson Rodrigues)
    A genialidade (ou não) das pessoas está em seu interior e a idade, cor, credo… Enfim essas peculiaridades de cada um de nós não interferem no fato de que somos o que acreditamos, estudamos, defendemos.
    Nossas idéias moldam nosso caráter e esse ser é um bom exemplo do que a arrogância pode fazer aos loucos.
    Beijos e muito obrigada pela visita e pelo comentário!

  4. Engraçado, eu ainda não comentei aqui?

    Enfim, é triste que uma pessoa que deveria supostamente ser estabelecida seja tão mesquinha a ponto de soltar um comentário tão infeliz…

    Arrogância pode ser um pecado, como o sujeito provou.

    o/

  5. O mais bizarro disso tudo é que o tal cara que disse essas barbaridades é nada mais nada menos que James Watson o ciêntista que descobriu na década de 50 o modeleo de dupla hélice do DNA .
    É muito triste pensar que um dos homens que revolucionou a ciência tenha uma idéia tão retrograda.
    E lembrando que ele é especialista em genética e não em evolução!

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