S.O.S.

Esta é uma velha sigla, usada em situações de emergência.

Alguém, por favor, me leve ao médico que estou passado mal (às vezes, me esqueço que sou somente um defunto agora). Chegar em um hospital poderia ser para as pessoas que estão lá a coisa mais comum de novo. Mas está acontecendo de novo, ou pelo menos, sinto de novo aquelas mesmas dores. Aquilo que me levou à morte morrida e matada.

FRANTANOR, Hideto.

TV

Eu? Fanático por filmes? Provavelmente depois até de mudar de caminho. Mas fato é que para aqueles fãs do mangá Death Note devem assistir o filme “O último jantar”, com atuações de alguns conhecidos atores e atrizes, tipo Cameron Dias.

Não que o filme seja uma história muito aparecida com o mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, mas pode se dizer tem vários aspectos muito parecidos. Não entrarei em nenhum detalhe, porque certamente algumas pessoas nem se importaram com isso e outras achariam realmente detestável saber de qualquer coisa da história antes de ter chance de conhecer a história em seu “papel original” (em lugar de “papel original”, leia-se o meio como originalmente o autor deixou sua obra). Seria como ver a Monalisa pela primeira vez em uma foto muito mal feita e impressa em um livro, com as dimensões menores que uma página de tamanho A4.

Mas o fato é que o considerei um filme bom, mesmo sem assistir ao final.

Ver televisão no noite de ontem me fez pensar diversas coisas, como por exemplo, por que aquele canal estava mostrando uma reportagem sobre maltratos a animais exatamente igual e no mesmo horário que já tinha feito há várias semanas? Seria algum tipo de reprise? E ainda surgiu uma pessoa dizendo/comentando sobre a longa reportagem e no canto da tela constava “ao vivo”, é claro que talvez aquele apresentador disse tudo aquilo ao vivo mesmo, mas como confiar em algo reaproveitado?

E também, é bom agradecer à TV Cultura pelas músicas que começam a tocar depois de terminada toda a programação do dia. São realmente boas músicas, tocadas por ótimos músicos. Não é algo que se passe a madrugada inteira ouvindo, mas é uma ótima companhia nos intervalos de filmes que possam estar passando nos outros diversos canais.

Depois a editora JBC pode me agradecer pela pequena propaganda, mas é que realmente a publicação merece.

FRANTANOR, Hideto

this is not the end YET

Outro dia, conheci uma dessas pessoas que passam pela sua “vida”, têm uma pequena participação quase insignificante e depois só viram as costas e partem. Essa pessoa me disse várias coisas interessantes e a maior delas foi que tinha descoberto o segredo da imortalidade, não que os mortos se interessem muito pela imortalidade, pela vida ou pela morte, mas o fato é que já fui vivo e já senti medo/preocupação em relação à morte. Mas esta é uma coisa realmente muito banal, que todos os dias acontece aos montes em todo o mundo, não passa de uma simples passagem como bem sabia o sábio Gandalf, the White. Transcrevo uma passagem do grande livro “O Senhor dos Anéis” já que ninguém do outro mundo tem autorização para sair dizendo aos mortais o grande clímax.

Pippen: I didn’t think it would end this way…
Gandalf: End? No, the journey doesn’t end here… Death is just another path, one that we all must take… The grey rain curtain of this world rolls back and all turns to silver glass… and then you see it…
Pippen:
What, Gandalf? See what?
Gandalf: White shores… And beyond… A far green country under a swift sunrise.
Pippen:
Well, that isn’t so bad.
Gandalf: No… no it isn’t.

E esse é o principal motivo que me leva a escrever sobre isso. As pessoas vivas, infelizmente, se importam e se preocupam demais com tudo isso. O segredo da imortalidade é realmente simples: ela não existe. Não é possível permanecer vivo do modo como se pensa a vida enquanto se vive. A vida é vista como a presença orgânica e intelectual (para não entrarmos em detalhes religiosos) e infelizmente toda matéria orgânica está dentro de um ciclo constante, que não pode ser quebrado em nenhuma circustância, e faz parte do ciclo que essa matéria se deteriore para que seja reaproveitada em outras matérias.

Existe também a chama imortalidade genética, mas isso entraria em discussões não exatamente desejáveis.

Por um outro lado, é possível permanecer vivo em relação à sua parte intelectual. Para isso, já é conhecida e clichê a fórmula: faça-se ser lembrado. Realiza algo grandioso que possa ser lembrado para o resto da eternidade, esteja vivo nas memórias de cada pessoa em cada canto do mundo. Um pouco difícil, mas você queria o quê? Ter uma fonte da imortalidade/juventude no quintal da sua casa?

FRANTANOR, Hideto

Manual de uso

O kit “Vá para Londres de carro” inclui seguintes itens:

– um carro completo;

– uma miniatura de Londres;

– uma toalha;

– um mapa da Rússia;

– um dicionário mandarim/português e português/mandarim;

O carro completo serve exatamente para que o usuário desse incrível kit possa chegar a Londres de carro com sucesso e visitando o menor número de hospitais e postos policiais possível. Não é necessário a utilização desse carro especificamente, mas é recomendável tendo em vista o grande número de assaltos à mão armada que os carros não voadores têm sofrido sempre que param em qualquer lugar, levando ao governo a retirar os semáforos causando caos no trânsito.

A miniatura de Londres deve ser encaixada no lugar assinalado com a letra A no próprio veículo (o carro que vem com o kit). Mas caso esse não possua a letra A, escreva-a em cima do capô da frente exatamente no meio. Depois faça a busca pela letra A em todo o veículo novamente, garantimos que na segunda vez o encontrará, mas em caso de defeito, ligue reclamando para o número que deve estar escrito logo abaixo da letra A. A miniatura serve para que os viajantes jamais percam o foco de para onde exatamente estão rumando, já que os usuários desse kit não são mochileiros.

A toalha tem inúmeras utilidades, além de secar superfícies. Ela pode servir como bandeira, se for desenhado um símbolo referente ao país de origem. Pode servir para embrulhar alimentos, espantar moscas, armazenar temporariamente líquidos, entre várias outras utilidades que dependem somente da criatividade do usuário.

O mapa da Rússia e o dicionário servem exatamente para que, caso o usuário se perca nesses dois países de maior extensão territorial do planeta Terra, ele não demore muito mais para chegar em seu destino (Londres). No caso de se perder em qualquer outro país, recomendamos que simplesmente siga sempre em frente até trombar com algum detalhe geográfico reconhecível das velhas aulas de geografia ministradas num tempo em que o himalaia ficava entre a Índia e a China.

A equipe de kits inúteis para inúteis agradece e deseja-lhe boa sorte. Ou má sorte, caso precise de toda a sorte possível.

Hideto Frantanor

Algum dia

Ainda entorpecido pelos sonhos cheios de cores e luzes, acordei e calculei o horário aproximado baseando-me basicamente na escuridão que a noite ainda parecia ter, pois não conseguia ver o mostrador do relógio no criado-mudo. Devia ser plena madrugada ainda, não se notava nem um mínimo rastro de luz, pensei que talvez faltasse a mim abrir os olhos, mas eu já tinha aberto-os e disso eu tinha certeza. Resolvi acender a luz e quem sabe encontrar o relógio-despertador.

Click

Continuei não vendo nada e estranhei, até me lembrar do terrível acidente há dois dias. De dentro do carro eu só podia ver tudo girando depois de desviar daquela moto, até trombarmos com um muro e tudo ficar escuro (para sempre). Agora, entendo porque não via o relógio, ele não estava mais lá.

Click

Eu não precisarei mais dessa lâmpada e nem do relógio, o médico que alertou que provavelmente isso seria permanente. Sem saber o que fazer diante dessa nova situação, me pus a chorar. Ainda podia sentir as lágrimas rolando minha face, até terminar salgada nos lábios, mas ninguém poderia me ver assim, eu precisava parecer forte, forte por aqueles que não tiveram a sorte de terem perdido só parte de suas vidas.

Me levantei finalmente e percorri o caminho até o banheiro pensando. Pensando que ali, eu conhecia cada contorno, esquina, obstáculo, mas como seria fora de minha própria casa? No banheiro, lavei o rosto e saí. Precisava andar um pouco, esfriar a cabeça. Me via criança, onde o mundo era diferente e meus sentidos trazia ao meu cérebro todas as mais novas sensações.

Resolvi andar pela cidade, deixar de me limitar aos meus ladrilhos.

Com ajuda de alguém que poderia ser um parente, andei por todos os cantos que eu já conhecia, mas acabei redescobrindo-os. A vida era bem diferente agora, cada lugar conhecido era desconhecido, descobri que eu mudara muito, que jamais seria a mesma pessoa. Eu não diria que nasci de novo, se estive tão perto da morte, mas que tudo era como se isso realmente acontecido, isso eu diria.

Mas depois de algum tempo convivendo com isso, senti aquele cheiro. Inconfundível. Aquele cheiro que eu jamais esqueceria, que veio pouco antes daquela voz e daqueles toques que juntos formariam aquela pessoal inesquecível. Aquela era a pessoa certa, que eu passaria o resto de minha vida observando o sorriso.

Ao lado, aprendi a viver a minha mais nova vida. Descobri o lado bom, que finalmente dominou o lado mau.

Hideto Frantanor

Sal de Prata

Mil perdões pela ausência. Estive ocupado, estive fora, estive desestimulado.

Ontem, assisti o filme que leva o mesmo nome que meu post. Filme nacional, que trata de amor e de cinema. Primeira cena: a câmera foca o rosto de uma garota com os ombros nus que diz:…

Não contarei o filme, simplesmente, assistam.

Esse filme deu-me uma grande idéia.

FRANTANOR, Hideto.