Rebirth — Hideto Frantanor

Ainda entorpecido pelos sonhos cheios de cores e luzes, acordei e calculei o horário aproximado baseando-me basicamente na escuridão que a noite ainda parecia ter, pois não conseguia ver o mostrador do relógio no criado-mudo. Devia ser plena madrugada ainda, não se notava nem um mínimo rastro de luz, pensei que talvez faltasse a mim abrir os olhos, mas eu já tinha aberto-os e disso eu tinha certeza. Resolvi acender a luz e quem sabe encontrar o relógio-despertador.

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Continuei não vendo nada e estranhei, até me lembrar do terrível acidente há dois dias. De dentro do carro eu só podia ver tudo girando depois de desviar daquela moto, até trombarmos com um muro e tudo ficar escuro (para sempre). Agora, entendo porque não via o relógio, ele não estava mais lá.

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Eu não precisarei mais dessa lâmpada e nem do relógio, o médico que alertou que provavelmente isso seria permanente. Sem saber o que fazer diante dessa nova situação, me pus a chorar. Ainda podia sentir as lágrimas rolando minha face, até terminar salgada nos lábios, mas ninguém poderia me ver assim, eu precisava parecer forte, forte por aqueles que não tiveram a sorte de terem perdido só parte de suas vidas.

Me levantei finalmente e percorri o caminho até o banheiro pensando. Pensando que ali, eu conhecia cada contorno, esquina, obstáculo, mas como seria fora de minha própria casa? No banheiro, lavei o rosto e saí. Precisava andar um pouco, esfriar a cabeça. Me via criança, onde o mundo era diferente e meus sentidos trazia ao meu cérebro todas as mais novas sensações.

Resolvi andar pela cidade, deixar de me limitar aos meus ladrilhos.

Com ajuda de alguém que poderia ser um parente, andei por todos os cantos que eu já conhecia, mas acabei redescobrindo-os. A vida era bem diferente agora, cada lugar conhecido era desconhecido, descobri que eu mudara muito, que jamais seria a mesma pessoa. Eu não diria que nasci de novo, se estive tão perto da morte, mas que tudo era como se isso realmente acontecido, isso eu diria.

Mas depois de algum tempo convivendo com isso, senti aquele cheiro. Inconfundível. Aquele cheiro que eu jamais esqueceria, que veio pouco antes daquela voz e daqueles toques que juntos formariam aquela pessoal inesquecível. Aquela era a pessoa certa, que eu passaria o resto de minha vida observando o sorriso.

Ao lado, aprendi a viver a minha mais nova vida. Descobri o lado bom, que finalmente dominou o lado mau.

Hideto Frantanor

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