Cinema

Qualquer um que tenha ido a qualquer cidade do interior de seu estado, seja ele qual for, provavelmente notou a falta de bons cinemas realmente culturais (caso não, pare de ler o texto). Ou seja, cinemas que não exibem grandes hollywoodianos somente pela sua fama, propaganda, procura ou potencial de alta bilheteria. Chamo de cinemas realmente culturais espaços como o HSBC Belas Artes.

Não pretendo com este texto julgar pessoas que vão ou não a esse tipo de cinema, à procura de cultura menos “The american way of life”. Principalmente porque nenhum desses cinemas jamais teve a honra de minha presença, estabeleço assim uma meta: se um dia voltar ao mundo dos vivos, irei ao HSBC Belas Artes.

Partindo, então, da premissa que jamais fui a um verdadeiramente bom cinema (cinema mesmo, não filme), registro a reclamação contra a falta de magia que os cinemas contemporâneos demonstram.

Nunca senti a seguinte sensação: “Harry Trimble: That’s why we call it The Majestic. Any man, woman, child could buy their ticket, walk right in. Here they’d be, here we’d be. “Yes sir, yes ma’am. Enjoy the show.” And in they’d come entering a palace, like in a dream, like in heaven. Maybe you had worries and problems out there, but once you came through those doors, they didn’t matter anymore. And you know why? Chaplin, that’s why. And Keaton and Lloyd. Garbo, Gable, and Lombard, and Jimmy Stewart and Jimmy Cagney. Fred and Ginger. They were gods. And they lived up there. That was Olympus. Would you remember if I told you how lucky we felt just to be here? To have the privilege of watching them. I mean, this television thing. Why would you want to stay at home and watch a little box? Because it’s convenient? Because you don’t have to get dressed up, because you could just sit there? I mean, how can you call that entertainment, alone in your living room? Where’s the other people? Where’s the audience? Where’s the magic? I’ll tell you, in a place like this, the magic is all around you. The trick is to see it.” (The Majestic – Frank Darabont)

Em um cinema como o Majestic a vontade deve ser sentar logo na primeira fileira, o mais próximo possível da grande tela de modo a receber as imagens primeiro, ainda frescas, sem estarem gastas, como estão quando voltam à cabine do projetista (The dreamers – Bernardo Bertolucci).

Acho que preciso ir ao cinema. O problema é a falta de oferecimentos nestes cinemas do outro lado, que se limita a Memórias Póstumas de Brás Cubas (André Klotzel) e Dead Poets Society (Peter Weir), ninguém por aqui percebe que o Neil virou amigo do pai do Stuart Little (Rob Minkoff).

Quentin Tarantino.

FRANTANOR

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Vale dos suicidas

Este é um texto profundamente religioso e sádico, escrito por um essencialmente ateu. Leitura não recomendada, especialmente a pessoas de bom coração ou cristãs.

O vale dos suicidas é uma parte de um plano ou algum plano para onde vão os suicidas. A única referência bibliográfica encontrada é o livro “Memórias de um suicida” escrito por Yvonne do Amaral Pereira e Camila Castelo Branco, pós-mortem. Não há necessidade, razões ou circuntâncias para discutir a modernização no modo de escrever notado em Camila Castelo Branco, provavelmente a convivência com algumas celebridades modernas como Kurt Cobain provoque este efeito.

Se existe uma sociedade organizada e, minimamente, democrática, neste plano, com certeza acontece todos os dias na política grandes debates (Nero, Budd Dywer, Cleópatra VII, Getulio Vargas, Gilles Deleuze, Judas, Salvador Allende, Marco Antônio). Provavelmente debates tão intensos, históricos, épicos como o mundo jamais imaginará.

Além disso, não só na política veremos eventos épicos mas também na música (Kurt Cobain, Michael Hutchence, Asis Valente) ou na literatura (Camilo Castelo Branco, Mario Sá-Carneiro, Primo Levi), além das artes (Vincent Van Gogh).

Ou seja, este é um lugar tão reservado. Somente para alguns poucos. Quase como o camarote da imprensa, longe do empurra-empurra do povão. Onde estão as grandes celebridades, sem esquecer de um tanto de samurais e kamikazes que devem terminar por lá. De onde eles observam os pobres ex-mortais sendo espetados pelo diabos  e lambidos pelas chamas do inferno eternamente, ao mesmo tempo discutindo (mais do que nobremente) política, música e artes em geral. Este é um ótimo fim para os pensadores.

Porém, se você deseja uma dica, lá não é nenhum paraíso.

FRANTANOR